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Vou ter que jogar tudo fora?

Foto do escritor: Leticia de Macedo Pontes
Leticia de Macedo Pontes
7 de ago.
2 min de leitura

Há alguns anos, uma cliente muito querida me procurou com um certo pé atrás. Ela estava passando por mudanças significativas na vida pessoal e profissional e queria passar por um novo processo de consultoria de imagem para alinhar seu visual a essa nova fase.


Ela é uma mulher fascinante, sempre disposta a aprender coisas novas e com uma paixão linda pela vida. Mas trazia na bagagem um trauma da sua experiência anterior com a consultoria de imagem: ter que abrir o próprio guarda-roupa e ouvir que precisava se desfazer de todas as peças que não cabiam no seu "novo estilo".

Desapegar Exige Tempo e Contexto

Para a surpresa dela, minha abordagem foi o oposto. Deixei claro que, se ela não quisesse, não precisaria jogar fora nenhuma peça só porque não se encaixava perfeitamente na proposta que estávamos construindo.


Essa perspectiva vem da minha própria vivência profissional conversando com mulheres de diferentes repertórios e interesses. Entendi, ao longo dos anos, como pode ser difícil abrir mão de itens que acompanham nossa intimidade por motivos afetivos, práticos ou simplesmente de memória.

É claro que, para o processo de consultoria de imagem funcionar, precisamos sim nos desfazer do que não faz mais sentido. No entanto, existem formas diferentes de fazer isso, e o desapego acontece em etapas, no tempo certo de cada uma.


O Guarda-Roupa Como Espaço de História

Quando deixei claro que não haveria um descarte radical, vi na hora o alívio no olhar dela. Nos meus dezesseis anos como consultora de imagem, aprendi que o guarda-roupa não é um espaço neutro: ele reflete fases de vida, escolhas passadas e a dinâmica da rotina. Chegar impondo regras ou exigindo desapegos drásticos sem critério só gera desconforto.

Uma consultoria eficiente exige sensibilidade e leitura de contexto. A mudança visual até aparece rápido, mas a consolidação da nova imagem é um processo que pede escuta, paciência e respeito à realidade de cada mulher.

Inteligência Visual É Saber O Que Escolher para Cada Momento

Afinal, inteligência visual passa longe de andar vestida com peças de alfaiataria e salto alto 24 horas por dia. Se essa não é a sua rotina, tentar sustentar esse personagem só gera cansaço mental e físico.

Ter controle sobre a própria imagem é ter também a sabedoria e a paz de espírito para entender que, em determinados dias, a sua melhor escolha vai ser mesmo aquela camiseta velhinha, a calça de moletom e o bom e velho chinelo.


No fim das contas, construir um estilo inteligente é ter liberdade, inclusive a de usar um moletom surrado num dia de preguiça, sem culpa nenhuma.

 
 
 

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